O que pouca gente sabe é que esses programas estão longe de serem exemplos de pioneirismo em código aberto. O título, segundo a Wikipedia, vai para o software de tratamento de imagens GIMP, abreviatura de GNU Image Manipulation Program, que acaba de completar dez anos de vida. Suas origens, naturalmente, estão no mundo Linux, mas desde 1997 a versão para Windows vem sendo desenvolvida em paralelo.
GIMP, atualmente em sua edição 2.2, não é a coisa mais fácil do mundo de usar – principalmente por quem já está acostumado ao Photoshop ou equivalente. Também não é o programa de tratamento de imagens mais poderoso do mundo, mas é definitivamente o mais barato – totalmente gratuito – dos aplicativos de nível profissional. E foi por isso – e para comemorar seu aniversário – que o escolhemos para este tutorial básico de tratamento de imagens.
Conhecendo a interface
Com o GIMP funcionando de modo relativamente amigável, tratemos de explorar alguns de seus recursos mais básicos. Não, não estamos falando dos pincéis e latinhas de tinta – esses qualquer criança consegue experimentar, mas não espere nenhuma obra de arte. Vamos começar por algumas dicas simples de tratamento de fotos digitais, e o primeiro passo é abrir uma – basta clicar em “Arquivo – Abrir”
(Figura 4).

A interface do GIMP é um pouco diferente da padrão do Windows – repare nos ícones das unidades de disco, por exemplo – e pode confundir um pouco, mas nada que chegue a assustar. Só lamentamos não poder arrastar imagens das janelas do Windows Explorer (onde é muito mais fácil selecioná-las) direto para o GIMP, como fazemos em outros programas gráficos, e não poder usar as mesmas teclas de atalho a que estamos acostumados no Photoshop.

Agora que a imagem está aberta, podemos identificar as três principais áreas de recursos do GIMP: a palheta de ferramentas, à esquerda, a de camadas e pincéis, à direita, e a barra de menu, no alto da janela da imagem (Figura 5). É claro que dá para arrastar as duas palhetas laterais para onde você quiser, mas esta é a disposição padrão. Aqui, a principal diferença em relação a um Photoshop da vida é a posição da barra de menu, na própria janela da imagem, e não no alto da tela.
Ajuste de níveis
Para começar a brincar, que tal ajustar a iluminação da nossa foto? Só esta ação, facílima de realizar, já costuma fazer milagres em imagens muito escuras ou sem contraste. Vamos clicar em “Ferramentas – Ferramentas de Cor – Níveis” para abrir a janela correspondente (Figura 6). Você tanto pode experimentar o modo automático, que pode funcionar muito bem ou muito mal, de acordo com as características da foto, quanto fazer os ajustes manualmente.

Se optar pelo caminho manual, o segredo é entender como funciona o gráfico dos tais níveis. Chamado de histograma e também exibido no display de algumas câmeras digitais depois da captura da foto, esse gráfico mostra a distribuição dos níveis de luz na foto. Se estiver muito concentrado de um lado, a foto provavelmente está mal exposta (existem exceções: as fotos de cenas naturalmente muito claras ou escuras).
A correção, se necessária, pode ser feita arrastando as setas que aparecem sob o gráfico de modo a deixar a área de maior concentração (as montanhas do gráfico) entre as duas setas das extremidades – foi o que fizemos no exemplo anterior, clareando bastante as áreas escuras da imagem original. Se o efeito for muito radical, tente deixá-las a meio caminho – é só experimentar e ver qual a melhor posição.
Um outro caminho é clicar em um dos dois conta-gotas desta janela e depois numa área da imagem que deveria ser totalmente preta (conta-gotas da esquerda) ou branca (direita), para que o programa reajuste toda a exposição a partir daí. Só tome cuidado porque esta ferramenta pode bagunçar totalmente o balanço de cores da imagem (o que não necessariamente é ruim – alguns efeitos podem ter sua utilidade).
Alterando o corte
Outro recurso muito simples, mas que é capaz de ressuscitar fotos dadas como perdidas, é o corte. Por melhor que seja o fotógrafo, dificilmente o enquadramento que sai da câmera é o melhor possível – aliás, hoje em dia se obtêm resultados muito melhores deixando alguma folga ao redor do assunto na hora de clicar e decidindo o enquadramento depois, no computador.

No exemplo da Figura 7, usamos a ferramenta de corte (a última da segunda linha da palheta da esquerda) para marcar um retângulo vertical na lateral da foto. É uma alteração radical: saímos de uma imagem horizontal para uma vertical, para destacar mais o lustre. Na janela que aparece depois que arrastamos o mouse, temos a opção de cortar direto ou de definir valores em pixels para altura, largura e posição do corte.
Repare que, neste caso, estávamos com a opção “redimensionar” selecionada, na parte de baixo da palheta da esquerda. Com isso, podemos alterar o tamanho final da área recortada, ajustando-a às dimensões especificadas na janela. O resultado é uma foto com exatos 1.200 x 1.600 pixels, a resolução típica de uma câmera de 2 megapixels, embora a foto original tivesse 5 MP.
A outra alternativa seria o modo “cortar”, em que a área selecionada não é reduzida nem ampliada. Se você pretende imprimir a foto, a melhor costuma ser a opção “redimensionar”, junto com a definição de dimensões compatíveis com o formato do papel que será usado. Como é possível alterar a unidade para milímetros para cortar a foto no tamanho exato, poderíamos digitar logo 10 x 15 cm, por exemplo.